Um Pouco Sobre a História do Pão de Açúcar

A ocupação do espaço pelo homem está diretamente associada à cultura e à sociedade que se apropria e constrói esse espaço. O relevo faz parte desse espaço e é apropriado de forma muito subjetiva recebendo denominações, nomes associados ao cotidiano, a cultura que está ao seu redor.

Pensar na paisagem do Rio de Janeiro nos remete a dois grandes eventos tectônicos.

O primeiro deles associado à colisão entre a África e a América do Sul, o oceano se fecha e uma grande cordilheira se forma, isso há aproximadamente 600 milhões de anos, com dobramentos e metamorfismos dessas rochas.

PRIMEIRO EVENTO TECTÔNICO

O segundo evento já está associado a abertura do Oceano Atlântico, há aproximadamente 150 milhões de anos, quando então ocorre a grande quebra desse continente com falhamentos e fraturamentos que vão dar a paisagem que temos no Rio de Janeiro.

SEGUNDO EVENTO TECTÔNICO

A Baía de Guanabara faz o contorno do município do Rio de Janeiro, e está estruturada no falhamento Norte-Sul, proveniente da abertura do Oceano Atlântico, é cercada ao fundo pela Serra do Mar e a sua boca é bastante estreita, cercada de um lado pelo Maciço de Niterói e do outro pelo Maciço da Tijuca, e justamente a península que faz esse estreitamento na boca da Baía de Guanabara é a península formada pelo Morro da Urca, Pão de Açúcar e Cara de Cão.

Esse relevo recortado do Rio de Janeiro permitiu o desenvolvimento de muitos ecossistemas como manguezais, brejos e braços de mar que entravam pelo continente, e isso gerou uma grande abundância de recursos, o que consequentemente atraiu a população humana há milhares de anos.

Aproveitando o contexto geográfico da península foi construído o Bairro da Urca, que recebeu esse nome justamente por conta da empresa que fez o aterramento da área, cujo o nome era Urbanizadora Carioca cuja abreviação então deu o nome URCA, e é um bairro privilegiado justamente por ter sido planejado e ter um arruamento espaçado, arborização urbana e uma vista privilegiada para a Baía de Guanabara, e ainda manter esse isolamento geográfico do resto da cidade.

A Pista Cláudio Coutinho dá acesso ao Costão do Pão de Açúcar, hoje com diversas vias de escalada e amplamente visitada, fornece ao visitante uma visão muito semelhante à visão que os portugueses tiveram quando chegaram na Baía de Guanabara, um imponente monumento geológico na entrada de uma baía de águas cristalinas com manguezais e florestas, que era justamente o cenário no início dessa cidade.

PISTA CLÁUDIO COUTINHO

O Maciço do Pão de Açúcar e do Morro da Urca é formado por diversos tipos de rochas, o gnaisse facoidal, o biotita gnaisse que é o kinzigito e algumas intrusões de granito, porém, essas rochas foram formadas a quilômetros de profundidade, e processos tectônicos e erosivos removeram a camada de rocha que estava por cima desse maciço, trazendo ele então a superfície.

COMPOSIÇÃO DO MACIÇO DO PÃO DE AÇÚCAR E DO MORRO DA URCA

Legenda:

Biotita Gnaisse

Intrusão de Granito

Gnaisse Facoidal

PARTE DE PROCESSO DE SOERGUIMENTO DO MACIÇO À SUPERFÍCIE

Processos erosivos

Maciço soerguido

Nesse movimento ocorre o que a gente chama de alivio de pressão, e então as fraturas herdadas da abertura do Oceano Atlântico abrem em função desse alivio de pressão, permitindo a ação do intemperismo e da erosão, moldando a forma que o maciço tem hoje. Além disso o kinzigito, que é o biotita gnaisse, por ser uma rocha menos resistente ao intemperismo foi sendo erodida formando então a sela que separou o Pão de Açúcar do Morro da Urca.

As fraturas de alívio de pressão vão soltando feito lascas formando o formato que o maciço tem hoje o que pros portugueses lembrou o formato dos pães de açúcar que eram os torrões que eram exportados da colônia pra metrópole nos tempos dos engenhos de açúcar. Esses veios de granito são estruturas penetrativas que podem ocorrer por alguns metros ou talvez até quilômetros atravessando todo o maciço do Pão de Açúcar (foto deles se alinhando ao longo da encosta, e eles ficam ressaltados na encosta em função de serem rochas mais resistentes que o próprio gnaisse facoidal)

FRATURAS DE ALÍVIO SOLTANDO LASCAS